Cursos e Workshops com André Gago
Esta página apresenta de forma compreensiva a actividade de formador de André Gago que pode ser realizada em qualquer local do país ou do mundo, mediante solicitação.
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A Técnica da Máscara
Reinvenção moderna da Commedia Dell’Arte do séc. XVI, a Técnica da Máscara é, mais que uma especialização, um extraordinário treino de base para o actor. Improvisação e pantomima são dois ingredientes de uma linguagem a um tempo extremamente codificada e livre.
A Técnica da Máscara baseia-se nas tradições do Teatro Grego e da Commedia dell’Arte, género que teve o seu período áureo nos séculos XVI e XVII.
O uso da máscara ao longo do séc. XX conheceu diversas escolas e foi objecto de várias investigações, que de alguma forma se interpenetraram e estão na base da abordagem que se propõe: de Copeau a Lecquoq, de Ariane Mnouchkine a Giorgio Strehler, a máscara tem exercido o seu poder de fascinação na construção do edifício estético do Teatro moderno.
A Técnica da Máscara é o resultado desse conjunto de aproximações, que desenham uma linha condutora que vem das primeiras máscaras criadas por Sartori para Giorgio Strehler até ao método desenvolvido por Mário Gonzales, mestre de Filipe Crawford, que trouxe para Portugal os seus ensinamentos.
Apoiando-se essencialmente no desenvolvimento da técnica da improvisação, mas através de uma elaborada metodologia, a Técnica da Máscara propõe uma atitude particular do actor, amplificando os seus recursos histriónicos, conferindo-lhe um maior domínio do gesto e da economia narrativa, e permitindo-lhe ao mesmo tempo recolher informação empírica que o ajudará no exercício da sua Arte, qualquer que seja o género a que se entregue no exercício da sua profissão.
As acções de formação são realizadas com o auxílio de 10 máscaras do escultor italiano Renzo Antonnelo, professor e colaborador do Piccolo Teatro: máscaras neutras, que permitem uma abordagem estilizada do Coro grego, através do Jogo do Círculo e outros exercícios; máscaras expressivas representando as principais personagens da Commedia dell’Arte: Arlequim, Pantalone, Capitão, Polichinelo e Doutor; e também máscaras pré-expressivas, da autoria do pintor João Vieira, inspiradas nas tradições mascaradas do nordeste trasmontano.
A estrutura do curso é a seguinte:
I.
A Regra dos 3 Segundos
Consciência Activa do Corpo
A Direcção do Olhar
Fragmentação do Movimento e da Acção
Primeiras Improvisações Narrativas
II.
A Primeira Máscara Neutra
Passagem da Acção
Jogo do Círculo
Os Sinais da Máscara
A Máscara Neutra
A Máscara Pré-Expressiva
III.
A Improvisação com Máscara Neutra
IV.
A Improvisação com Máscaras da Commedia dell'Arte
A aprendizagem na máscara é um processo lento. Na fase I. pretende-se que o formando interiorize um novo elemento, comum a todo o grupo, mas diferente do seu comportamento habitual no tocante à velocidade de reacção ao estímulo: a Regra dos 3 Segundos obriga a uma atitude anti-natural de apresentação daquilo que raciocinamos e imaginamos. A consciencialização activa do corpo pretende assinalar todos os movimentos pessoais e involuntários que executamos, identificando-os e controlando-os, salientando o facto de que eles serão evidenciados com o uso da máscara. A Direcção do Olhar introduz outro elemento anti-quotidiano na forma como a cabeça passa a ser usada como uma espécie de “olho” único, para que o plano e a expressividade do rosto não joguem contra o plano e a expressividade da máscara. A Fragmentação do Movimento e da Acção completa este ciclo de estranheza comportamental, contribuindo para que os movimentos cénicos voluntários, escolhidos pelo próprio com base na técnica, sejam desenhados perante o espectador, valorizados e postos em evidência. Finalmente, as Primeiras Improvisações Narrativas procuram ajudar a associar estes “espartilhos” técnicos ao livre exercício da imaginação, libertando-a.
Na fase II. toma-se contacto com as primeiras máscaras neutras, de plástico comum, que representam uma primeira dificuldade de habituação ao “objecto estranho” colado ao rosto. A Passagem da Acção é então associada às técnicas já assimiladas, permitindo que elas se comuniquem entre o grupo. O Jogo do Círculo propõe a primeira “história” vivida por todo o grupo, com o seu grau de imprevisibilidade e de subjectividade, integrando-se as suas regras próprias no universo de referências já então apreendido. Os Sinais da Máscara propõem a leitura psicológica dos traços antropomórficos que podemos encontrar na natureza, como forma de treinar a avaliação da psicologia de uma máscara a partir da sua observação. A Máscara Neutra é, então, abordada, explorando-se a condição de disponibilidade interior que ela sugere, avessa a composições ou características que os formandos possam tentar impor-lhe. As Máscaras Pré-Expressivas surgem por contraposição à leitura da máscara neutra, provocando outros estímulos, atitudes corporais diferentes, exploração do som, evidenciando a extra-quotidianeidade inerente ao comportamento do corpo mascarado e convidando à amplificação do gesto e ao prazer da representação.
Na fase III. todo o trabalho anterior é levado para o jogo da improvisação. Os formandos aprendem a improvisar em conjunto, a definir objectivos, a escutar e respeitar tudo o que é feito na improvisação, a agilizar enfim a sua imaginação no sentido de, através da técnica, conseguir não apenas ter boas ideias ou sugestões, mas transformá-las em verdadeiras peças de teatro, obras acabadas, completas, mas nascidas do momento, numa palavra: improvisadas.
Na fase IV. tomamos finalmente contacto com as máscaras da Commedia dell'Arte, utilizando os recursos adquiridos com todo o processo anterior para encontrar uma ou mais personagens, com as quais iremos criar lazzis e canevas, que serão eventualmente objecto de uma apresentação final.
Oficinas para Jovens
Numa época em que a mediatização do trabalho do actor pode gerar inúmeros equívocos, uma oficina de teatro para jovens deve procurar recentrar a questão da representação no puro prazer do jogo, fornecendo ao mesmo tempo pistas para futuras escolhas. André Gago trabalhou com crianças na escola nº6 de Lisboa e em outras acções avulsas, com particular incidência nos dois últimos anos.
Jogos com Shakespeare
Tendo sido professor convidado durante um ano na Universidade de Évora, aí trabalhou sobre Noite de Reis. Nos últimos dois anos, tem desenvolvido um trabalho de aprofundamento sobre Shakespeare, de que resultaram vários excertos de traduções e um projecto de espectáculo. Depois de ter trabalhado com o encenador Tim Carrol, procura integrar alguns dos seus métodos nas abordagens pessoais que vem desenvolvendo. As sessões incidem sobre A Tempestade, Hamlet, A Fera Amansada e Henrique IV.
Formação de formadores
Os actores de teatro e cinema têm desenvolvido ao longo dos anos um conjunto de situações que vão no sentido de captar a atenção daqueles que são a sua razão de ser, o público. Utilizam técnicas de desinibição, a voz e as suas diferentes inflexões, o não dito, para passar mensagens importantes. Exploram o potencial do seu rosto como a expressão facial, utilizam o gesto e técnicas para ultrapassarem momentos menos conseguidos. Não deixam que o desânimo se instale. Com muito ou pouco público, quer este goste ou não, o actor vai até ao fim. Os formadores têm muito em comum com os actores, e o sucesso ou insucesso de uma formação depende da sua atitude. Depende da sua apresentação e postura corporal e da forma como utilizam o seu potencial.
Objectivos:
No final da acção os participantes deverão ser capazes de:
· Reconhecer a importância da inflexão da voz;
· Utilizar diferentes expressões faciais;
· Utilizar estratégias para ultrapassarem as falhas de memória;
· Obter sucesso com participantes adversos;
· Reconhecer a importância da utilização das técnicas utilizadas pelos actores nas acções de formação.
Duração:
Variável, de acordo com as necessidades do grupo.
Programa:
· A respiração;
· A desinibição;
· A voz e as diferentes inflexões;
· A expressão facial;
· O dito, o meio dito e o não dito;
· O silêncio;
· O improviso trabalhado;
· A ultrapassagem dos momentos menos conseguidos e das falhas de memória;
· Os pormenores que fazem a diferença;
· A máscara social e as diferentes máscaras;
· Obtenção de aplausos com públicos adversos.