Espaço Instável - Museu da Máscara

Máscaras Portuguesas

colecção de André Gago

misterium tremendum fascinorum

 

 

 

Exposição itinerante de fotografias e máscaras de Trás-os-Montes

25 máscaras das festas transmontanas do ciclo de Inverno

16 fotografias e 2 fatos de careto

 

A Exposição

 

O visitante da exposição poderá ver máscaras originais representativas das principais festas trasmontanas, acompanhadas de explicações sucintas sobre a sua origem, classificação, forma e função.

 

Desde 1986 que André Gago vem realizando um trabalho de pesquisa e recolha sobre as festas mascaradas de Trás-os-Montes, numa perspectiva que se poderia inscrever na corrente da antropologia teatral. As festas dos Caretos ou dos Rapazes, de Stº Estevão, do Chocalheiro ou o Carnaval de Podence e Lazarim fazem da região trasmontana o lugar por excelência da máscara no território nacional. Trata-se, essencialmente, de festas de cunho pagão, originalmente associadas a ritos agrícolas e de passagem, através da reinstalação simbólica de um caos primordial do qual possa renascer e renovar-se a vida da aldeia, dos seus habitantes, dos seus animais e das suas culturas.

 

A exposição apresenta máscaras originais de vários mascareiros trasmontanos, fotografias e fatos, fruto dessa recolha.

Exposição Itinerante

Na sua actual forma, a exposição foi apresentada pela primeira vez na Galeria S. Jorge, no castelo de S. Jorge, em Lisboa, em Fevereiro/Março de 2005. Em Setembro, foi apresentada no Museu de Arte Sacra de Alcochete, onde pôde ser apreciada por mais de 2.000 visitantes. Em Fevereiro de 2006 esteve patente na Galeria do Palácio do Infantado, em Samora Correia. Em 2008, esteve já no Centro Cultural António Aleixo, em Vila Real de Santo António, na Biblioteca Municipal de Cascais, no Instituto Politécnico de Beja e no Centro Cultural da Malaposta, em Odivelas.

 

Anteriores formatos da exposição foram apresentados em Lisboa, no Palácio Foz, em Bruxelas, no Centre Culturel d'Anderlecht, em Loures, na Galeria do GAJ, no Barreiro e na Junta de Freguesia da Pontinha.

 

As máscaras e os fatos são expostos num conjunto de 11 suportes de pé em ferro côr grafite e suportes de parede brancos.

Todas as fotografias estão emolduradas.

Todas as peças estão legendadas em português e inglês.

 

As Máscaras de João Vieira

(nota: não integram a exposição permanente; para saber mais, clique aqui)

João Vieira nasceu a 4 de Outubro de 1934 na aldeia de Anêlhe, em Vidago, Trás-os-Montes. As máscaras portuguesas são uma temática fortemente presente na sua obra pictórica. Autor de encenações e numerosas cenografias para teatro, realizou uma performance na galeria Quadrum aquando da inauguração da sua exposição "CARETOS" (1984) , na qual se encontravam já algumas das máscaras que compõem esta colecção. O seu interesse pelo tema está também por si documentado numa produção video que realizou, "FESTAS DOS CARETOS", em que registou os vários aspectos das festas mascaradas tal como se realizam em Torre de D. Chama. Este video constitui, a par do filme "MÁSCARAS PORTUGUESAS" de Noémia Delgado, um dos raros testemunhos filmados dessa tradição. O conjunto de máscaras que constituem esta colecção foi originalmente criado para o Teatro do Triângulo, para a peça O FÍSICO PRODIGIOSO, adaptação da novela homónima de Jorge de Sena, adaptada e encenada por André Gago.

 

Máscaras e Ritos de Passagem

 

Estamos em Trás-os-Montes, no nordeste do Portugal peninsular. O manto do Inverno cobre os campos, de onde se espera que venha a brotar, de novo, a vida. É o fim de um ciclo para a comunidade. O tempo não evolui em linha recta, deu uma volta completa sobre si mesmo, e há que recomeçar tudo de novo. Os assuntos por resolver, no ciclo que finda, têm de ser concluídos, e a vida da comunidade refundada. As máscaras fazem a sua aparição, cumprindo os seus preceitos antigos de rito social e agrário. Elas reinstalam o caos primordial, de onde é possível inaugurar um novo tempo. São os Caretos, o Carocho, o Chocalheiro, o Velho, das festas de Dezembro e de Janeiro, mas também os Caretos e Caretas de Fevereiro, que celebram o Carnaval. Há comportamentos bizarros, carregados de simbologia sexual: os Caretos que perseguem as raparigas, batendo-lhes com bexigas de porco cheias de ar, ou fazendo balançar grossas fieiras de chocalhos contra o seu corpo, num misto de abraço e de agressão. Mas há também, tanto em Dezembro como em Fevereiro, a crónica dos acontecimentos protagonizados por elementos da comunidade no ciclo que findou, lidos por Caretos ou pelos Mordomos da festa, como acontece em Lazarim e acontecia em Aveleda, e que chegam mesmo a ser teatralizados, como sucede em Varge.

Instrumentos para a convocação das forças primordiais e infra-humanas do espaço mítico da aldeia, da procura da alteridade, da inversão e crítica das identidades e dos comportamentos sociais, e parceiras das crónicas narradas em verso, em todo o caso as máscaras, objectos que encerram um tremendo, misterioso e fascinante poder, nada escondem, e tudo revelam.

 

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